A era digital intensificou a ansiedade, amplificando o medo de exclusão (“FOMO” — Fear of Missing Out), a necessidade de validação virtual e a comparação constante com os outros . Isso gera um ciclo vicioso de checagem contínua de notificações, busca por curtidas e ansiedade antecipatória, formando o que já é chamado de “neurose de ansiedade digital” .

Sob a ótica psicanalítica, esse fenômeno é mais do que uma consequência do avanço tecnológico: ele revela conflitos internos aprofundados. O desejo de ser visto e reconhecido expande-se nas redes, enquanto a insegurança subjetiva alimenta a compulsão pelo engajamento online . O superego moderno, mediado pelos algoritmos e a lógica do like, potencializa a dependência da opinião alheia e o sentimento de insuficiência simbólica . Sintomas como ansiedade, insônia, irritabilidade e comparações destrutivas são manifestações do sofrimento psíquico que pede escuta, não julgamento.

A psicanálise contribui propondo reflexão sobre a construção da identidade na era digital, auxiliando o sujeito a reconhecer esses mecanismos, buscar autenticidade e resgatar o valor do silêncio, da pausa e do encontro consigo mesmo — condição fundamental para o equilíbrio emocional .

Elaine Furlan
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